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Teatro Ipanema - dezembro de 2004
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GESTO
Gestar não é gerir,
gerar para existir.
Sorver o sumo e não engolir;
ruminar a verve sem digerir;
moer a essência à desmatéria
até materializar-se o resto.
É a ínfima paixão que sobra neste resto
a matéria donde gesto um gesto.
E gestando
eu me gesto,
fazendo de meu gesto
a razão para, a cada dia,
gestar-me.
Thales Paradela