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Teatro Ipanema - dezembro de 2002
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ÉS FÚRIA
(para uma nuvem que dança Flamenco)
Nem lânguido, nem calmo,
espasmódico quiçá
o furor que irradias.
És fúria!!
Mansidão da planície
por teus olhos de verde colorida
incendeia no calor de teu hálito,
fremindo no rodopio de teu vestido rubro.
És fúria!!
Lúgubre nunca, indefesa jamais.
Ira de dragões.
Inquietude de um vulcão.
Aproximar-me um risco,
fascínio da lâmina afiada.
Solta-te indomável
entre mãos e giros.
Calcas meus anseios;
sapateias sobre meus desejos.
Não me observas: intima-me.
És fúria!!
Ludibria-me em teu molejo,
toreando-me qual touro cego e obstinado
em paixão desmedida,
com teu vistoso capote de promessas intuídas.
Olé!Olé!
Abrevia pois este tormento,
crava-me logo tua espada.
Vara-me o peito descompassado
ou beija-me.
De toda sorte,
será indolor a minha morte!
És fúria!! És fúria!!
Thales Paradela