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Teatro Ipanema - dezembro de 2005
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Quando
Não é sempre que te quero.
é só quando a aurora
com olheiras roxas
chega atrasada ao ocaso da noite;
é só quando o tempo
com cabelos desgrenhados
veste sua camisa pelo avesso;
é só quando a lua
comovida, por um beijo abandonado,
esquece-se no firmamento
em soluços até o meio dia;
é só quando a pena
verga-se flácida
e o tinteiro resseca-se por não conseguir grafar adeus;
é só quando evaporo
e o que sobra de mim equilibra-se no vácuo
exibindo um esqueleto incongruente e apaixonado;
é só quando mais não me vejo
e o que fora de mim jaz semeando chuva
plantando, não minha carne, mas minha angústia;
Não é sempre que te quero:
é só quando existo.
Thales Paradela